14/09/2019 - 08h49m

SINDARE e AUDIFISCO levantam bandeira amarela no mês da conscientização pela saúde mental

Weslene Rocha  

Desde 2015, no Brasil, o Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção ao suicídio, que começou por iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Atualmente, a campanha ganhou força e acendeu o alerta para a real necessidade dos cuidados para com a saúde mental.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 45 minutos uma pessoa comete suicídio no Brasil. Cerca de 12 mil casos de morte por suicídio são registrados por ano no país. Grande parte desse número de mortes são influenciados por uma combinação de fatores como transtornos mentais, ambientais, socioculturais e de doenças emocionais como a ansiedade e a depressão.

O SINDARE, e a AUDIFISCO, como forma de conscientização, convidaram o Doutor em Psicologia, Carlos Mendes Rosa, para uma conversa sobre a campanha e também para dar dicas sobre uma melhor qualidade no quesito saúde mental.


ENTENDA SOBRE O SETEMBRO AMARELO

Segundo Carlos Mendes Rosa, o objetivo principal da campanha é a conscientização acerca da necessidade urgente de se pensar processos de acolhimento e tratamento do sofrimento psíquico. "Essa é a segunda maior causa de adoecimento no mundo. A campanha visa buscar ações de prevenção ao sofrimento psíquico grave que pode levar ao suicídio, mas também conscientizar as pessoas de que existem formas de enfrentamento desses sofrimentos que não são difíceis de serem pensadas e colocadas em prática". 

Ele explica que, a campanha mostra que existe a necessidade da fala, da escuta, de espaços de convivência mais humanizados nas instituições, mesmo nos espaços públicos. "Tudo isso faz parte dessa campanha, cujo pilar principal é tornar visível esse sofrimento que muitas vezes é invisível, vergonhoso, motivo de muito constrangimento para as pessoas, além de trazer a reflexão não só de boas práticas da saúde mental, como também essas práticas muitas vezes estão ao nosso alcance e não reconhecemos isso, não temos exata noção acerca disso".


SAÚDE MENTAL NO AMBIENTE DE TRABALHO

O especialiata explica que para criar relações de saúde mental no ambiente de trabalho, a primeira coisa é criar relações mais humanizadas, mais saudaveis. "Diminuir a questão da competitividade entre as pessoas, tirar um pouco dessa ideia de que a pessoa precisa estar o tempo todo voltada para a performance. Essa é uma ideia que é muito propagada pela lógica neoliberalista, de que somos uma máquina, que precisamos dar resultado o tempo todo".

Ele explica que isso de fato, adoece as pessoas. "Pensar numa lógica da produtividade que continue de fato dando lucros, que continue gerando beneficios, mas que isso não consuma as pessoas a ponto delas se tornarem descartáveis, aquela coisa de espremer a laranja ate não sobrar nada do bagaço, essa é uma lógica muito ruim e que muitas instituições tem adotado sistematicamente, isso vai retirando a saúde mental das pessoas e isso a médio e longo prazo, é absolutamente danoso para as instituições e para as próprias pessoas", afirma  Carlos Mendes.


O psicanalista explica que criar espaços de convivências, rodas de conversas, momentos lúdicos, sextas casuais, encontros, espaços que podem tornar a realidade laboral mais interessante e mais saudável, são pequenas atitudes que influenciam no resultado de um ambiente de trabalho mais leve.


DICAS PARA IDENTIFICAR UMA PESSOA QUE PRECISA DE AJUDA

Carlos Mendes Rosa diz que a identifcação das pessoas que tem alguma forma de sofrimento psíquico são várias e atendem a muitos critérios. "Um bom critério que podemos utilizar é o da permanência. Quais são as mudanças bruscas e drásticas que essa pessoa vivenciou em seu cotidiano? Por exemplo, uma pessoa que é sempre expansiva e sempre alegre, e de repente começa a ficar mais entristecida, mais encinesmada, há uma mudança drástica em seu comportamento.


Ele fala que outra situação é quando uma pessoa que é mais calma, mais tranquila, começa a ficar muito agitada, com muitas ações expansivas, pode ter alguma coisa errada.

O psicanalista explica que normalmente temos a idéia de que só a pessoa que está na baixa, que pode fazer coisas ruins contra si, mas que em alguns momentos tem pessoas que estao num pico de alegria, numa elastão, num ápice de bom humor, e que de certa forma podem estar sofrendo numa crise de ansiedade.

Ele também explica sobre critérios mais técnicos, como a perda do interesse nas coisas, a perda da capacidade de obter prazer com a vida, quando se vê que a pessoa não tem mais interesse, não se anima com nada, não se emploga, tem falas mais depressivas, pensamentos negativos em relação à vida ou ao futuro, ausência de sono, problemas de sono como acordar muito cedo, dormir muito tarde, sono picado. A alimentação também é um fator de atenção, quando a pessoa está comendo ou bebendo drasticamente, ou que não está se alimentando. "A gente precisa olhar com mais cuidado pra esse tipo de adoencimento", disse ele.


SAIBA COMO AJUDAR QUEM EMITE SINAIS

Para o especialista, a maneira principal de ajudar, é estar disponível para ouvir a pessoa. "Esse é um mito, que só profisisonais da saúde podem ajudar quem está em sofrimento. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de empatia pode ajudar".

Carlos Mendes fala sobre essa capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir como o outro, essa capacidade de estar à disposição para os atos em relação ao outro.

Além da empatia, ele também conta que existem algumas regrinhas básicas que podemos seguir e que são importantes para quem quer ajudar quem está em sofrimento. "A primeira delas é não julgar, nem a pessoa, nem a situação. Quando voce julga, voce perde a oportunidade de ajudá-la, porque você já coloca ela numa condição de acusação, então isso tende a dimunuir as suas chances de ajudar a pessoa".

Outro ponto importante é legitimar o sofrimento. Coisas como “isso é bobagem”, “a situação que voce está passando é muito melhor do que a de outras pessoas”, etc, costumamos falar essas para ajudar as pessoas, mas elas de fato, não ajudam, e sim, fazem com que a pessoa se sinta mais distanciada de quem oferece ajuda.

"É importante ter essa consciência de que a pessoa tem um sofrimento e que a legimitação do sofrimento pra ela, naqule momento é importante e precisa ser legitimada".


Ele explica que não é no sentido de dizer que realmente a vida da pessoa está ruim,  legitimizar o sofrimento não quer dizer dar vasão ou concordar com o sofrimento, mas é dizer “olha, realmente me parece que a sua condição de sofrimento é importante, mas há outras soluções”.

Ele conta que é interessante conseguir de repente, apontar outras soluções, soluções vivenciais, apontar o caminho da práticas esportivas, das artes, chamar para um programa, um passeio, e outras questões relacionadas a isso. "O imporntate é que tudo isso implica em disponivilidade, estar disponível para poder fazer alguma coisa pela pessoa".

QUAL A IMPORTÂNCIA DESSA CAMPANHA?

Mais do que importante, é indispensável conscientizar as pessoas  sobre a prevenção do suicídio. Alertar  a população como um todo sobre essa realidade no Brasil e no mundo. Assim, o Setembro Amarelo se nos apresenta como uma destacada forma de evitar o suicídio, sobretudo, por promover debates, diálogos e discussões acerca do tema, do problema.

PORQUE O SINDARE E A AUDIFISCO SE ENGAJARAM NA CAMPANHA DE COMBATE AO SUICÍDIO?

O presidente das entidades, SINDARE e AUDIFISCO, Jorge Couto, explica que estas já possuem um histórico de engajamento em causas sociais. "Para além das questões corporativas dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Estado do Tocantins, nos incumbe também cumprir nossa função social. E o fazemos com muita satisfação, é um compromisso que firmamos com a sociedade, em geral, da qual somos partes integrantes".

Ele também reforça sobre os dados alarmantes, "O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos. Todos os dias, pelo menos 32 brasileiros tiram suas próprias vidas. Essas estatísticas poderiam ser diferentes, para melhor, se existissem políticas eficazes de prevenção do suicídio. Mas, também não podemos, nem devemos incumbir tão-somente ao poder público esse papel. Acreditamos que esse problema pode e será, em muito, atenuado, com a colaboração do maior número possível de pessoas".

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